Vai e Põe uma Sentinela (Harper Lee)
- 16 de set. de 2021
- 2 min de leitura

PT “Vai e Põe uma Sentinela” é um livro da autora americana Harper Lee, bastante conhecida pela obra de sucesso “Mataram a Cotovia”, publicado em 1960. Este livro foi publicado em julho de 2015, sendo considerado uma continuação da sua primeira obra. No entanto, mais tarde foi revelado que afinal este livro foi escrito primeiro que a obra “Mataram a Cotovia”, ou seja, é um rascunho da mesma que foi rejeitado inicialmente pelos editores. Ainda assim, é perceptível as razões que levaram à rejeição inicial, pois obrigaram a autora a reescrever a obra e daí saiu o sucesso que é “Mataram a Cotovia”. As críticas a este livro são muitas, principalmente ao conteúdo controverso envolvente que a mim própria também me causou uma certa frustração no decorrer da leitura.
Em meados de 1950, numa época ainda bastante turbulenta e dividida em questões raciais, revivemos a personagem de Jean-Louise Finch, mais conhecida por Scout, que volta à sua cidade natal, Maycomb, para visitar o seu pai, Atticus Finch. Nesta visita, Scout depara-se com uma realidade inconcebível a seus olhos e vê-se obrigada a enfrentar situações desconfortáveis, envolvendo familiares e pessoas que conhece desde sempre. Por causa destas situações, temas controversos como o racismo são abordados ao longo do livro, em que nos é possível perceber as perspetivas de uma mente jovem e mais aberta influenciada pelas grandes cidades como Nova Iorque, e depois temos a perspetiva mais fechada daqueles que vivem numa cidade mais pequena, ainda “enclausurados” nas rotinas retrógradas que os tempos mais antigos nos habituaram.
É muito interessante ver o desenvolvimento da relação entre pai e filha, em que percebemos facilmente que Jean-Louise tinha uma imagem do pai diferente daquilo que ele realmente era. E com isto não quero dizer que é algo negativo. Simplesmente os valores que Atticus transmitiu a Jean-Louise na sua infância não encaixavam com os comportamentos que o mesmo mostrava na sociedade. Não sou da opinião que o Atticus não seja racista. Acredito que, preferencialmente, ele se deveria impor contra comportamentos ou demonstrações de situações racistas. Contudo, é preciso entender a época em que estes acontecimentos se deram, as mentalidades que ainda se estavam a desenvolver e todo o cenário por trás de todas as situações. Mas é importante sublinhar, que nada justifica comportamentos racistas e todos devem ser condenados quando acontecem.
“O preconceito, que é uma palavra feia, e a fé, que é uma palavra boa, têm algo em comum: ambas começam onde a razão termina.”
Apesar das várias críticas negativas, continuo a recomendar este livro. Acho importante tentar educar algumas mentalidades e o livro mostra-nos alguns pensamentos e comportamentos que não devemos ter. Gostei muito da mensagem que o tio de Scout lhe transmite dizendo-lhe que os amigos dela precisam mais dela quando estão errados, pois é aí que ela tem a oportunidade de lhes ensinar o porquê de estarem errados. Penso que é algo que podemos adaptar à nossa sociedade atual, a todos os progressos que se vão desenvolvendo e as mentalidades que se vão alterando.
⭐⭐⭐



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