Bleu Noir (Mylène Farmer)
- 12 de ago. de 2021
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PT “Bleu Noir” é o oitavo álbum de estúdio da cantora francesa Mylène Farmer, lançado a 6 de Dezembro de 2010. Para alguns dos fãs da artista, este álbum é um retorno às suas raízes, atraindo comparações favoráveis com “Innamoramento” e também com os álbuns anteriores a “Anamorphosée”. A ideia do álbum é retratar a artista como uma mulher no seu auge, confiante nas suas realizações e capaz de se expressar sem sacrificar a sua integridade. A artista escreveu todas as letras do álbum, à excepção de “Inseparables”, e Moby, Archive e RedOne estiveram responsáveis pela composição das faixas.
Como primeiro single do projeto tivemos a inesquecível “Oui mais... non”, lançada a 11 de Outubro de 2010, composta por RedOne e que, pela sua sonoridade, se assemelha a algumas das faixas compostas pelo produtor durante aquela fase, nomeadamente para artistas como Lady Gaga, Nicole Scherzinger e Sugababes. Além disto, vários críticos compararam o videoclipe da faixa aos vídeos das músicas “Bad Romance” e “Alejandro” de Lady Gaga, acabando por ser várias comparações com a artista, podendo ser uma espécie de oportunidade de se integrar na sonoridade e aspectos visuais existentes naquela altura. O segundo single foi a faixa homónima, “Bleu Noir”, lançado a 18 de Abril de 2011, já bem distante da data de lançamento do álbum, mas a editora argumentou que tal se deveu ao facto de ter havido atrasos com a elaboração dos remixes da faixa. A música foi escrita e produzida por Moby com letra de Mylène, e o videoclipe produzido pelo cineasta francês Olivier Dahan. Apesar de ter adorado “Slipping Away (Crier la vie)”, uma colaboração de 2005 entre os dois artistas, confesso que esta faixa ficou um pouco aquém das expectativas, havendo melhores composições entre ambos no restante álbum, como é o caso de “Toi l'amour”, mas entendo que fosse “relevante” lançar a faixa título do projeto. Finalmente, o terceiro e último single, lançado a 4 de Julho de 2011, foi a faixa “Lonely Lisa”, outra composição de RedOne, que, honestamente, são para mim as melhores composições do álbum, podendo existir mais faixas compostas por RedOne, uma vez que se encaixam perfeitamente com o estilo da artista. Originalmente, a personagem Lonely Lisa era um desenho criado por Farmer, usado em 2002 para ilustrar o videoclipe de "C'est une belle journée", acabando por se tornar uma marca registada da artista a 15 de Junho de 2007 para promover produtos derivados de seu conto “Lisa-Loup et le conteur”. Além destes singles, julgo que também teria sido uma boa ideia lançar como single a faixa “Diabolique mon angel”, outra das minhas faixas favoritas e que daria um excelente single final para o projeto. Prova disto está no lançamento da faixa como single para promover o álbum ao vivo “Timeless 2013”.
Para mim, este álbum tem uma espécie de mística em torno dele, e a forma como a artista soube que seria uma espécie de revolução para a sua carreira o torna tão especial. Foi a primeira vez que a artista deixou a segurança das composições de Laurent Boutonnat, que acabaria por voltar à sua vida no primeiro single da compilação “2001.2011”, “Du Temps”. E, de facto, vemos que por vezes devemos arriscar e fazer algo fora da nossa zona de conforto para mostrar o nosso ponto de vista e que somos capazes de nos adaptar.
“Bleu Noir” foi o meu álbum de “estreia” para com a artista, e muito por culpa do compositor RedOne, que acompanho desde a sua ascensão com Lady Gaga, e a partir daí acompanhei todos os projetos da artista. Hoje, confesso que o álbum ainda está no meu Top 3, agora atrás do recente “Désobéissance” (2018), que está fenomenalmente bem produzido, mas não deixa de ser especial e um ponto de viragem para a artista. Muitos acharam que ela não se iria consagrar e que seria um movimento arrojado para alguém com uma carreira tão bem estabelecida, mas a artista mostrou do que era capaz e não teve receio de fugir da sua zona de conforto, e devemos seguir este seu belo exemplo.
⭐⭐⭐⭐



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