Pés Que Sonham Ser Cabeças (Mesa)
- 30 de set. de 2021
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PT “Pés Que Sonham Ser Cabeças” é o quinto álbum do projeto Mesa, liderado por João Pedro Coimbra, e o primeiro a contar com a voz de Rita Reis, vocalista que substituiu Mónica Ferraz em 2012, lançado a 13 de Maio de 2014 pela Sony Music. A banda sempre foi conhecida por ser uma das mais estimulantes no panorama nacional, e desta vez arriscaram novos caminhos e decidiram enveredar por um estilo que consegue unir o pop, a eletrónica, o jazz e ainda a música clássica.
Para a promoção do álbum a banda decidiu começar com a faixa “Independente Desconhecido”, que começa com uma espécie de sinos que nos remete para um casamento ou semelhante, arrancando para uma sonoridade mais eletrónica, acompanhada por uma guitarra, ao estilo dos Goldfrapp, assim como os próprios vocais, que vão sendo acompanhados por alguns efeitos. A faixa é contagiante e é uma excelente escolha para primeiro single, ficando os versos “Gira, que gira e torna a girar / dois dias e uma linha que te faça mudar.“ presos na memória. De seguida vem o single “Moral”, que nos leva para o passado, numa sonoridade semelhante a um David Bowie mais descontraído e dançável, e sem dúvida que o que mais sobressai nesta faixa, além do seu refrão, é o teclado inconfundível.
“És sensual sem ponta de moral / Não tens modos mas não faz mal / És um animal, o meu chicote estala / Preparo os adereços que trago na mala”
Por fim, temos o lançamento de um duplo single, a balada “Sinto” e a regravação da faixa “Cedo o meu Lugar”. A própria vocalista, Rita Reis, confessa que assim que ouviu “Sinto” pela primeira vez, ficou com uma “lagrimazinha”, e não é motivo para menos, a faixa é das minhas favoritas do álbum, começando com os arrebatadores versos “Se eu amo e não posso dizer / E sei que com esta canção tu nunca vais saber”. Por sua vez, “Cedo o meu Lugar”, foi regravada da original do álbum “Automático” (2011), e parece que serve como resposta à faixa anterior, possuindo frases como “Cedo o meu lugar a quem te mereça / … / Mas a seguir peço para voltar / É que eu gosto mesmo de ti”. Provavelmente foram as duas faixas do projeto que obtiveram maior destaque, e tudo isto porque fizeram parte da banda sonora da novela da TVI “O Beijo do Escorpião”, servindo a última inclusive como genérico da novela.
Do álbum podemos ainda dar destaque a “Noite de Bruxas”, que conta com um ensemble de 10 músicos, “Ser Urbano”, onde há lugar para trompete, trombone, tuba, violino, viola, violoncelo, guitarra, baixo, bateria e teclas, e “Máquinas em Construção”, onde a tuba faz a vez do baixo eléctrico - são alguns dos exemplos onde se pode sentir essa vontade de “vestir” as canções de um caráter transformista.
“Pés que sonham ser cabeças” é o mais ambicioso da carreira da banda e tem uma extensa lista de convidados. Nele, Rita Reis tem uma voz capaz de dar corpo e alma às letras e melodias de João Pedro Coimbra, capaz de sentir as canções como suas, dar-lhes identidade e conferir-lhes um sentido de urgência em partilhar. No entanto, é de salientar, que se faz sentir um pouco a falta da voz de Mónica Ferraz, que optou por seguir carreira a solo, mas julgo que a voz de Rita Reis foi um excelente complemento à banda e tal tem sido visível até aos dias de hoje.
⭐⭐⭐⭐



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