Rebel Heart (Madonna)
- 26 de ago. de 2021
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Atualizado: 27 de ago. de 2021

PT “Rebel Heart” é o décimo terceiro álbum de estúdio de Madonna, lançado pela Interscope Records a 6 de Março de 2015. Ela trabalhou no álbum ao longo de 2014, co-escrevendo e co-produzindo com vários músicos, incluindo Diplo, Avicii e Kanye West. Tematicamente, “Rebel Heart” representa o lado romântico e rebelde da cantora, sendo que as ideias para o projeto foram surgindo naturalmente durante as sessões de escrita e gravação. Musicalmente, é um disco pop, adicionando-se ainda uma variedade de géneros, como house, trap e reggae dos anos 90, usando violões e até um coro gospel. Algumas das canções são autobiográficas, enquanto outras falam sobre o amor e a carreira da artista. Ao contrário dos seus projetos anteriores, trabalhar com muitos colaboradores representou problemas para Madonna, uma vez que não foi possível manter um género e direcção criativa coesos para o álbum.
O álbum contou com quatro singles para o promover, recaindo as escolhas sobre “Living for Love", "Ghosttown", "Bitch I'm Madonna" e "Hold Tight", respectivamente. “Living for Love" já não era nenhuma surpresa para os ouvintes da cantora, uma vez que a faixa, assim como muitas outras do projeto, veio parar à internet em Dezembro de 2014, fazendo com que a cantora tivesse de apressar a divulgação do álbum, lançando-a oficialmente a 20 de Dezembro de 2014. A faixa serviu bem o seu propósito, sendo um óptimo single para apresentar o álbum, com uma mensagem forte acerca de como é possível recuperar do final de um relacionamento, e além disso, é engraçado saber que a artista foi acompanhada por Alicia Keys ao piano. O segundo single, "Ghosttown", foi lançado um pouco mais tarde, apenas a 13 de Março de 2015, imediatamente a seguir ao lançamento do álbum. A música, que oscila entre uma balada pop e eletrónica, foi inspirada nas imagens de uma cidade destruída após o armagedom, e como os sobreviventes continuam com as suas vidas, com o amor sendo a única coisa que eles podem segurar. Seguidamente veio a icónica "Bitch I'm Madonna", lançada a 15 de Junho de 2015, uma colaboração com Nicki Minaj com um estilo EDM misturado com trap e dubstep. É festeira e gloriosa, e o verso de Nicki é capaz de ser dos 26 segundos mais enérgicos do álbum mas, ao mesmo tempo, é artística, crescendo progressivamente em algo que nos prende a atenção e nos faz querer dançar, acabando a batida por se dispersar entre sintetizadores. Finalmente, o último e quarto single, "Hold Tight", foi lançado a 24 de Julho de 2015 em determinados países, não sendo um single a nível global. Continuando num registo eletrónico, mas não tão dançável, a música fala sobre o amor que é capaz de triunfar em tempos tempestuosos, com uma mensagem de apego ao outro e de ser forte, não importando a situação. Neste caso, tal como em “Living for Love", também existe um artista surpresa, MNEK, que além de ter ajudado na sua composição, foi convidado por Madonna para contribuir com alguns vocais na faixa.
“Rebel Heart” é uma espécie de longa meditação, apaixonada e autorreferencial sobre como perder o amor e encontrar um propósito. É também uma oportunidade para a Rainha do Pop refletir sobre como ela cuidadosamente traçou um caminho que outros felizmente seguiram e acompanharam, desde a sua estreia em 1983. Com tantos produtores com métodos de trabalho díspares no comando, “Rebel Heart” parece sobrecarregado, a dualidade do seu título fica confusa pela inclusão de músicas vibrantes de festa, mas falha pela existência de faixas sem grande parte lírica como "Unapologetic Bitch" e “Auto-Tune Baby", existindo, no entanto, canções exuberantes como "Holy Water ”, composta com Natalia Kills, que possui uma melodia e letra bastante provocantes, incluindo sem esforços a palavra "genuflexão" numa canção pop.
O grande número de canções do álbum (19, sem contar mais seis na edição “Super Deluxe”) faz com que exista uma vasta panóplia de géneros e estilos, acabando por resultar numa aparente falta de edição interna que se reflete numa falta de visão, de um fio condutor. Consequentemente, o álbum é mais forte quando Madonna deixa as colaborações de lado e apenas nos diz o que quer diretamente. Portanto, é apropriado que ela encerre a edição deluxe com a faixa-título, lembrando como ela passou de uma criança estranha a narcisista e a pensadora espiritual, com a brilhante e orquestrada produção de Avicii. No fundo, Madonna tem um coração rebelde, e não a podemos culpar por nos lembrar que a música pop é melhor assim.
⭐⭐⭐⭐



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