Shadow Works (Kerli)
- 23 de jun. de 2021
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PT “Shadow Works” foi fruto de imenso trabalho e dedicação. O seu lançamento, a 22 de Fevereiro de 2019, foi envolto em muito “sangue, suor e lágrimas”, como se costuma dizer. O projeto é, oficialmente, o segundo álbum da cantora Kerli, tendo em conta que o segundo álbum, “Utopia”, foi compactado num EP, depois de ter vindo parar à internet muito antes do seu lançamento. Consequentemente, o projeto inicialmente desenvolvido em 2016 não correspondeu às expectativas da artista, aproveitando os singles lançados para compor outro EP, “Deepest Roots”, aquele que seria, provavelmente, o álbum mais realista e sincero da artista.
O primeiro single do projeto, "Savages", foi lançado a 30 de Novembro de 2018, acompanhado do anúncio e capa do álbum. A faixa, envolta novamente numa sonoridade eletrónica, tem um certo poder para nos envolver, como se nos abraçasse e ficássemos presos a si, numa melodia e dança contagiante. Já o seu videoclipe tem um cariz obscuro, onde prevalece o preto e o branco, transmitindo uma mensagem de poder, de amor, de emancipação, com uma direção de fotografia fenomenal, atrevendo-me a dizer que poderá ser dos meus videoclipes preferidos de sempre. O segundo single foi “Better”, lançado a 18 de Janeiro de 2019, e continua numa sonoridade coesa com o single anterior e relembra ainda as colaborações da cantora com o projeto Seven Lions (“Worlds Apart” e “Keep It Close”), mostrando que provavelmente esse seria um estilo a adotar para este projeto. Finalmente, o terceiro e último single do álbum foi “Legends”, divulgado a 8 de Fevereiro de 2019, que possui uma história engraçada. A faixa foi produzida durante as sessões do projeto “Utopia”, como uma espécie de balada, estando pensada como o elemento de transição entre “Love is Dead”, o primeiro álbum da cantora, e o segundo álbum, porém acabou por não ver a luz do dia. No entanto, a versão demo da música surgiu na internet a 26 de Maio de 2013, e foi engraçado ver que a faixa conseguiu ser reaproveitada para este projeto, sendo ainda adicionados vocais das raparigas de Ülenurme Laulustuudio.
É de louvar a atitude da cantora de nunca ter parado em qualquer momento, mesmo para aqueles que acham que ela desapareceu do panorama musical porque, se não estava a lançar músicas em nome próprio, estava a compor sucessos para outros artistas como foi o caso de “Skyscrapper” de Demi Lovato, “I Feel Immortal” de Tarja, ou então estava a colaborar com outros artistas, como nas faixas eletrónicas "Sound of Walking Away" do Illenium, "Glow in the Dark", "Stardust" e "Something About You” do tyDi, "Raindrops" do SNBRN e muito mais, exibindo o seu enorme talento como vocalista e produtora, permitindo vislumbrar uma espécie de evolução e, apesar do número de “mãos” que tocaram “Shadow Works”, a sua personalidade aparece com enorme eminência.
“Shadow Works” revela-se um projeto complexo e cheio de detalhes, querendo ainda transmitir algumas das tradições do seu país, Estónia, como acaba por acontecer na faixa “Tuleloits”, uma faixa enigmática mas com significado, e que orgulhosamente transmite uma espécie de mensagem, no final do álbum, terminando com a frase “Ja nii on” que significa “E que assim seja”. E, apesar da sonoridade “pesada”, como na minha faixa favorita, “Where the Dark Things Are” com um baixo profundo e intenso e uma atmosfera decididamente mais sinistra, “Shadow Works” simboliza anos de experiência, fracassos passados e um crescimento acentuado em talento e habilidade. Ele revela-se um “magnum opus” de Kerli e demonstra perfeitamente a importância de composições maduras e o alto valor da produção na música moderna.
⭐⭐⭐⭐⭐



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