The Ride (Nelly Furtado)
- 7 de jul. de 2021
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PT “The Ride” é o sexto álbum da artista Nelly Furtado, lançado a 31 de Março de 2017 pela própria gravadora de Furtado, a Nelstar Music, sendo o segundo álbum lançado de forma independente, depois de “Mi Plan” (2009). “The Ride” é uma espécie de jornada da artista ao longo de 12 faixas (ou até 15 faixas se contarmos com as faixas exclusivas da versão em vinil) que servem como uma espécie de cura para um coração partido. A sua sonoridade acaba por divergir entre a onda dos anos 80, tal como em “E•MO•TION” de Carly Rae Jepsen, com um bocado de indie/folk de um “Fearless” de Taylor Swift, passando inclusive por uma onda mais alternativa, escolhendo John Congleton, produtor de St. Vincent, como o produtor executivo do álbum, dando origem a uma combinação feita no paraíso, num álbum que sabe balançar entre o estilo indie e o eletrónico.
Apesar da própria afirmar que o álbum não foi pensado para ter singles e que, em vez disso, ela lançaria músicas que deseja compartilhar, "que são doze", o álbum foi promovido através de cinco faixas: “Pipe Dreams", "Cold Hard Truth", "Flatline", "Phoenix" e "Sticks and Stones". A faixa de abertura do álbum, “Cold Hard Truth”, que é das minhas favoritas do projeto, apresenta-nos batidas fortes, com vocais sedutores e alguns sintetizadores, através de um estilo electro/pop, e tenho a certeza que seria uma música muito mais mediática se tivesse sido apresentada por alguma pop star em voga na altura, possuindo um refrão brilhante. “Flatline” possui uma sonoridade semelhante mas, em termos vocais, a artista destaca-se no refrão, exaltando a necessidade de reencontrar o amor e ser salva, e estas duas faixas acabam por definir, de forma perfeita, o clima para o álbum. Surge então o cover de Arlissa, "Sticks and Stones", que proporciona uma produção pop direta e exemplar, exibindo todo o dinamismo da cantora e do próprio “The Ride”, movendo-se sem esforço dos sintetizadores do single “Pipe Dreams” para a contida e devastadora “Phoenix”, na qual Furtado mostra ter adquirido um controlo ainda maior do registo superior do seu estilo vocal incomum.
Não é estranho o facto de “The Ride” ser provavelmente o seu trabalho mais pessoal e maduro, até porque o álbum começou a ganhar vida devido a uma fase extremamente difícil da vida da artista, e a primeira faixa composta para o projeto, “Phoenix”, acaba por ser uma alegoria a isso, sobre uma pessoa se reerguer após uma queda, e todo o processo de concepção do álbum ajudou na busca pela cura. Todo ele reflete acerca da capacidade de nos voltarmos a colocar nos trilhos, a aprender a lidar com o facto de se estar sozinho e olhar de forma bastante cautelosa para o que temos em frente, enquanto, a pouco e pouco, se vai deixando o passado para trás.
“The Ride” é um hino à liberdade, ao deixar algo para trás e seguir em frente, tal como a próprio refere na música “Palaces”: “Break free from the chains, Into love“, celebrando o que de mais importante temos no mundo, o amor. É um facto que o álbum não atingiu o sucesso esperado, e provavelmente a cantora também já sabia disso, mas parece confortável com a sua posição na indústria pop e a sua paixão pela música pode ser ouvida em cada minuto do álbum. Já está numa fase da sua vida em que já não precisa de provar nada a ninguém, já teve o seu talento imensamente reconhecido, nomeadamente durante a era “Loose”, e temos muita sorte de ela ainda ter um ótimo ouvido para melodias pop e saber exatamente o que funciona para a sua voz, dando origem a um projeto totalmente agradável e digno.
⭐⭐⭐⭐



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